“a música é um instrumento educacional mais potente do que qualquer outro”. Platão


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domingo, 16 de maio de 2010

TÉCNICAS DESCRITIVAS EM LETRAS DA MÚSICA POPULAR BRASILEIRA

Estudos realizados por Maria Aparecida Rocha Gouvêa (UNITAU)

A análise técnicas descritivas em seis letras da Música Popular Brasileira selecionadas do repertório de compositores brasileiros reconhecidos pelo público e pela crítica musical. Na análise, foram observados a temática, o objeto descrito e suas características, as impressões sensoriais utilizadas, os recursos lingüísticos e estilísticos responsáveis pela construção do sentido do texto e o papel e a posição do descritor observador.
As músicas análisadas foram:
Farinha - Djavan
Brigitte Bardot - Zeca Baleiro
As vitrines - Chico Buarque
Cariocas - Adriana Calcanhoto
Trem das Cores - Caetano Veloso
Palavras - Sérgio Britto e Marcelo Fromer
Nas letras analisadas, a descrição subjetiva foi predominante.


Descrição objetiva

“A farinha é feita / de uma planta da família / das euforbiáceas / de nome manihot utilíssima / ...” (Farinha - Djavan)


Descrição subjetiva

“A saudade é uma colcha velha / que cobriu um dia / numa noite fria / nosso amor em brasa / ...” (Brigitte Bardot)

“Os letreiros a te colorir / embaraçam a minha visão / ...” (Vitrines - Chico Buarque)

“Cariocas são sacanas / cariocas são dourados / cariocas são modernos / ... (Cariocas - Adriana Calcanhoto)

“O mel desses olhos luz, mel de cor ímpar / ... (Trem das cores - Caetano Veloso)


Descrição dinâmica e descrição estática

A captação da realidade pode ocorrer de duas maneiras: estática, como uma fotografia ou dinâmica, como num filme.

Na descrição estática predominam as formas nominais, com a presença de frases sem verbo ou com verbos que expressam estado.

Na descrição dinâmica predominam os verbos que expressam movimento e as figuras de linguagem como a prosopopéia e as cenas ganham a perspectiva cinematográfica do observador.

A presença física do observador é determinante na seleção dos elementos a serem descritos. Conforme a posição do descritor, o horizonte de observação modifica-se e os componentes descritos devem estar coerentes com essa posição.

Nas letras analisadas, tanto a descrição estática quanto a dinâmica apareceram:


Descrição estática

“Palavras não são más / palavras não são quentes / palavras são iguais / sendo diferentes / ...” (Palavras - Sérgio Britto e Marcelo Fromer)

“A farinha tá no sangue do nordestino / eu já sei desde menino / o que ela pode dar/ ...”(Farinha - Djavan)


Descrição dinâmica

“Passas em exposição / passas sem ver teu vigia / catando a poesia / que entornas no chão.” (As vitrines - Chico Buarque)

“Os átomos todos dançam / ... / crianças cor de romã / entram no vagão / ...”

“As casas tão verde e rosa / que vão passando ao nos ver passar / ...” (Trem das cores - Caetano Veloso)

Metáfora

“A saudade é um trem de metrô / ...” (Brigitte Bardot - Zeca Baleiro)

“Te avisei que a cidade era um vão / ...” (As vitrines - Chico Buarque)

“Palavras são sombras / As sombras viram jogos / ...” (Palavras - Titãs)

“O mel desses olhos luz” (Trem das Cores - Caetano Veloso)


Comparação

“Cada clarão / é como um dia depois de outro dia / ...” (As vitrines - C. Buarque)


Prosopopéia

“Os letreiros a te colorir / ...

As vitrines te vendo passar / ...” (As vitrines - C.Buarque)


Antítese

“Palavras são iguais / sendo diferentes.” (Palavras - Titãs)

“Numa noite fria / nosso amor em brasa.” (Brigitte Bardot - Zeca Baleiro)